quinta-feira, 4 de julho de 2013

Entendendo Democracia Digital: em busca de uma visão crítica da atualidade

Após a leitura de dois textos de pesquisadores sobre democracia digital (Wilson Gomes e Ricardo Fabrino - vide abaixo), pude ampliar minha visão sobre o tema e repensá-lo no contexto atual das manifestações.

Anotei alguns pontos importantes (dos milhares que tinham no texto), que compartilho abaixo:

- São incontestáveis as oportunidades que a internet oferece para a participação democrática. Wilson Gomes diz que: "o cidadão pode se relacionar diretamente ao Estado ou ao sistema político, sem a mediação dos meios de massa ou das instituições intermediárias; os membros da comunidade política podem agora, na alternância entre livre emissão e livre recepção, produzir uma comunicação sobre as coisas de seu próprio interesse, a prescindir do Estado, do sistema político ou dos meios de massa".

- Antes, durante e depois das manifestações, a internet "teve papel fundamental nos processos de articulação, mobilização e estruturação dos movimentos", aponta Ricardo Fabrino. 


Além disso, o professor destaca o fenômeno da cobertura alternativa de grupos (como o PósTV), que tornaram o processo discursivo mais complexo.

- Além de ampliar as possibilidades de participação dos cidadãos, a internet pode ainda contribuir para "produzir informação que promova a transparência, a abertura e a accountability das agências de governo em níveis nacional e internacional, bem como a capacidade de fortalecer canais interativos de comunicação entre os cidadãos e as instituições intermediárias", Wilson Gomes citando outro autor, Norris. 

Tal análise reforça que devemos nos lembrar do regime de governo democrático que vivemos, em que o poder político é exercido por representantes da população em instituições executivas e legislativas. A experiência democrática passa pelo Estado. 

- Segundo Wilson Gomes, "o Estado é a contraparte institucional da cidadania" e  não pode ser encarado como adversário da sociedade. O Estado deve considerar o poder civil em detrimento do sistema político, pois se as decisões políticas se resolvem inteiramente em um sistema político que não ouve os cidadãos, tais decisões se tornam deficitárias em legitimidade.

- Afim de que as reivindicações dos cidadãos sejam ouvidas e que a luta por reconhecimento travada nas ruas seja efetivada com mudanças políticas e sociais, Ricardo Fabrino propõe uma radicalização democrática, que possibilite que a "democracia não se restrinja ao voto e possa se adensar, realizando-se de forma contínua e efetiva".

Os textos podem ser consultados abaixo:



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